Quando
debatemos sobre a questão da juventude e a violência nas escolas, muitos pautam
a discussão partindo do contexto familiar dos/as jovens, que é muito importante
também, porém é preciso compreender como os/as jovens se sentem dentro do
ambiente escolar, uma vez que é lá na escola que acontecem muitos casos de
violência entre alunos/as e alunos/as até entre alunos/as e professores/as.
Segundo
Bock (2006) a atual geração de jovens vê a sociedade como uma forma de dominação,
inclusive de dominação do adulto sobre o jovem. Com isso, não é difícil notar
que a relação de muitos jovens com a escola é de profunda insatisfação, pois
são vistos como instrumentos de controle que tem o objetivo de transformar o
jovem desobediente de hoje no adulto bem comportado de amanhã.
A
escola é chata, obsoleta, não está totalmente antenada com a era da informação.
Enquanto é possível aprender de forma simples e rápida sobre Biologia acessando
um vídeo no Youtube a Escola usa de
lousa e giz. Além do mais existe muita dificuldade de professores/as e
diretores/as de aceitarem o uso de equipamentos eletrônicos (celular, notebook
e outros... ) em sala de aula enquanto que esses são os principais meios de
informação e comunicação dos/as jovens. Para muitos adolescentes e jovens a
escola é semelhante a uma prisão com muros bem altos, com regras e horários
rígidos, obrigações que devem ser cumpridas para ganhar o direito a liberdade.
A
escola não prepara o aluno para a vida, para o mercado de trabalho, e
dependendo nem para prestar o vestibular ou Enem. Grande parte dos/as jovens
não tem perspectivas de emprego e nem de ingressar em uma universidade, “então
para que eu tenho que estar na escola?”. O Projovem e os Institutos Técnicos
Federais nasceram como proposta de suprir essa necessidade, porém muitas vezes
extrapolam ao outro extremo fazendo da educação um sistema tecnicista de transmissão
de conhecimentos sobre determinadas profissões.
Contudo,
qualquer coisa fica mais interessante na escola do que o conhecimento. Dessa
forma a escola se torna um grande ambiente de conflitos que tem dificuldades de
resolução. Não é à toa que diariamente vemos nos noticiários cenas de violência
entre alunos/as dentro e fora do ambiente escolar. Nos assustamos mais ainda
quando a notícia mostra agressões entre professores/as e alunos/as, o que no
contexto juvenil não é tão assustador assim, uma vez que os/as jovens veem a
escola como um instrumento repressivo e castrador, dessa forma o/a professor/a
ou diretor/a se torna adversário e não mestre.
Para
resolver o problema da violência nas escolas surgem várias propostas, entre
elas até a possibilidade de colocar policiais circulando dentro do ambiente
escolar ou fazendo rondas no entorno na escola nos períodos de término das
aulas. Medidas que podem remediar o problema mas não resolve-los por completo.
Antes de tudo é necessário criar uma cultura de paz em nossas escolas. As
escolas são lugares em que os/as jovens passam a maior parte do tempo, devem
ser atraentes e participativas.
O
debate sobre o Bullyng nas escolas
contribuiu muito, porém antes de debater com os/as alunos/as sobre o que é o Bullyng, é preciso que a escola se
torne uma reprodutora de respeito ao próximo e ao diferente. De respeito ao
portador de deficiência, ao negro, índio, homossexual... Só aprendendo as
respeitar as diferenças é que o Bullyng não
vitimará mais tantos adolescentes e jovens pelo Brasil.
A
escola existe para o/a aluno/a, portanto é preciso criar mecanismos de
participação democrática das decisões da escola. O/a aluno precisa se sentir
parte da escola e corresponsável por tudo o que acontece nela. São eles, os/as
alunos/as, que vão dizer o que precisa ser mudado na escola pra tornar ela mais
atraente aos jovens. O apoio aos grêmios estudantis, a grupos esportivos e
culturais dentro da escola, a maior participação dos/as alunos/as nos conselhos
escolares, os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais, podem ser instrumentos
de participação democrática que façam os/as alunos/as sentirem-se também
responsáveis por tudo o que acontece no ambiente escolar, diminuindo assim os
alarmantes índices de violência.
Walkes Vargas
Membro do Fórum Municipal de Juventude de Campo Grande
Referências
BOCK, A. M. B. Psicologias: uma
introdução ao estudo da psicologia. Ana Mercês Bahia Bock, Odair Furtado, Maria
de Lourdes Trassi Teixeira. – 13. Ed. Reform. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2006.

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