Encontrei esse texto por acaso em alguma postagem no facebook. Não sei sua procedência e nem se é esse mesmo o autor. Porém acredito que é um bom texto pra se ler e refletir sobre a forma como nos relacionamos ultimamente.
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Relacionamentos acontecem. Você não precisa
forçá-los. Tampouco apressá-los. Pessoas ficam juntas porque querem, no momento
em que decidem juntas. Querer já é muito e ajuda a eliminar algumas dúvidas. As dúvidas
existem porque pensamos nelas. E tudo está sujeito ao engano. É incontrolável.
Como evitar cair em relações de dependência? Seja responsável por você:
pensamentos, sentimentos e atos. Parece banal, mas não é. Não tente impor ao
outro sua responsabilidade com relação a você mesmo. Ele gosta de você, mas não
é tão responsável por você assim. Você responde por você, ele responde por ele.
Amor não se cobra. Atenção também não. Carinho muito menos. Tenha isso em
mente. Não tenha a obrigação de corresponder às expectativas do outro em todos
os momentos. Ele as criou. Não o obrigue a corresponder às suas expectativas em
todos os momentos. Você as criou. A moeda da culpa é muito alta. Não se culpem
à toa. Não usem chantagens baratas, usem as mais elaboradas, em momentos oportunos.
Não somos animais de estimação: não tentem se domesticar. Não somos animais
selvagens: não tentem se enjaular. Não estejam nem queiram estar presentes na
vida um do outro o tempo todo. Ninguém nasce com duas sombras. E quando
estiverem longe, não se liguem toda hora. Todo mundo pode esperar. Na vida é
bom saber detectar o que é urgência de fato. O resto é controle. Não ligue
antes de dormir para saber onde ele está com a desculpa “só liguei pra dar boa
noite”. Você não é mãe dele e vocês não têm 12 anos. Só ligue quando quiser, ou
precisar, e não porque ele quer que ligue. Não deixem que os monstros da
comunicação instantânea assombrem. Um SMS não respondido imediatamente, uma
ligação sem retorno, ficar um dia sem se falar: não foi nada! Vocês não precisam
checar o celular um do outro, fuçar as redes sociais, ter acesso aos e-mails
pessoais. Quem inventou essa loucura? Não se controlem a ponto de ficarem com
preguiça de se ver. Não aceite ser a polícia, o juiz ou o algoz de que você
gosta. Sejam, menos ainda, vítimas um do outro. Não façam planos vitalícios com
ninguém. E não se culpem por isso. Conversem sobre tudo, mas não discutam todos
os lados da relação sempre. Incentivem-se, mas não virem o senso de direção um
do outro. Não faça surpresas demais, não agrade demais. Ele não é seu filho
único. Repito, que se vocês estão juntos é porque querem estar. Isso já é tão
belo. Tenha assuntos e amigos pessoais, ele não deve ser seu único assunto e
interlocutor. É sempre bom ter o que fazer na vida. Trabalho e lazer. É
recomendável ter muitas coisas para pensar, como ideias e viagens. Hoje você
vai sair sem ele e tudo bem. Amanhã ele vai viajar sem você e tudo bem. Hoje
você vai encher a cara com seus amigos. É sempre bom. Depois de amanhã vocês
podem ir ao cinema juntos! Então saibam se divertir juntos. E saibam se
divertir um sem o outro. Não se violentem. A tortura é uma técnica menor. Pode
dormir na casa dela, mas lembrem-se: você não mora lá. Pegação não é flerte.
Flerte não é paixão. Paixão não significa romance. Romance não é namoro. Namoro
não é casamento. Casamento não é virar uma pessoa só. Duas bocas, oito membros,
duas cabeças, dois corações, dois organismos que só se comunicam com o mundo
usando verbos na primeira pessoa do plural. Isso é mutação. Briguem por motivos
reais. Tenham ciúme por motivos reais. 90% dos casos os motivos não são reais.
Você tem passado. Ele tem passado. Ciúme do passado é motivo irreal. Você tem
seus segredos. Ele tem os segredos dele. Respeitem-se. Aprendam a ensinar que respeito
não envolve hostilidade. Tudo isso não quer dizer que ele tem outra pessoa, que
você se apaixonou por outra pessoa ou que vocês se gostam pouco. Tudo isso vai
fazer vocês gostarem mais um do outro. Antes de você existir na vida dele ele
já existia. Existir não é tarefa fácil. Tem que deixar a existência arejada,
sempre, pra poder existir ao lado de alguém. Mais disposto e com mais vontade.
Que bom que você chegou na vida dele. Mas ele não nasceu de novo. Tudo vai se
adaptar ao novo cenário. Tenham paciência. É exercício. Tentem cortar as
ilusões de domínio: não funcionam com territórios, não funciona com
conhecimento, nunca vai funcionar com pessoas. Isso adia os finais trágicos das
relações possessivas. E torna as relações mais inspiradoras. Essas duram mais.
No pós-romance as pessoas não precisam explicar tanto. Elas estão juntas porque
querem. Isso basta. Fim.
(Pedro Bial)
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